Traumatismos na Face após a Queda da Própria Altura

As quedas da própria altura são mais comuns no dia a dia do que possamos imaginar. Elas podem dar-se com ou sem a perda da consciência. Dentre as causas mais comuns das quedas causadas com perda de consciência encontram-se os desmaios reflexivos (síndrome vasovagal), desmaios por hipotensão, quadros de epilepsia e síndromes cardíacas.

As mulheres acima dos 60 anos são a população mais acometida. É mais comum que as quedas ocorram a nível domiciliar. O banheiro é o local das residências de maior incidência delas, por isto, é muito importante salientar o quanto é imprescindível a adaptação dos banheiros residenciais, de casas geriátricas, hospitalares e até mesmo os de uso público para a prevenção de quedas através da instalação de: barras de apoio dentro dos chuveiros e ao lado dos assentos sanitários, tapetes emborrachados, pisos e azulejos antiderrapantes, bancos de apoio, quinas arredondadas etc.

Nos Estados Unidos, uma análise comprovou que nos últimos dez anos, dentre um número de 3.4 milhões de atendimentos nos Departamentos de Emergência daquele país, 244.800 (7.2%) destes foram estritamente relacionados à queda da própria altura.

Os ossos da face mais atingidos nestas quedas são o osso mandibular, o osso zigomático (maçã do rosto), o osso nasal e os ossos que formam o assoalho da órbita (osso maxilar e malar). Estas fraturas na face podem causar alterações funcionais e estéticas importantes, tais como, dificuldades na fala, na mastigação, na respiração e na acuidade visual como visão dupla, visão embaçada e, em casos mais graves cegueira, devido à compressão do nervo óptico pelo extravasamento sanguíneo local ocorrido no momento da queda.

Quando associadas ao consumo de álcool, as quedas da própria altura tendem a causar fraturas de face mais graves e em maior número. Em 14% delas estão associados outros traumatismos em diferentes locais do corpo. E, em 5% dos casos das fraturas há a presença de sangramento intracraniano.

Na maioria das fraturas há a necessidade da realização de cirurgias sob anestesia geral para que o(s) osso(s) fraturado(s) possam ser reduzidos à posição original e fixados através de mini placas e mini parafusos de titânio. Descompressão intracraniana e da órbita também são necessárias em casos de sangramentos excessivos nestes ossos.

Deixamos então aqui um alerta que reforça a importância de não se relativizar uma queda da própria altura na ausência de sinais e sintomas significativos, pois, somente exames de imagem (tomografia e ressonância magnética) podem descartar a presença de sequelas internas no corpo devido à queda. Chame o SAMU e/ou procure sempre um Pronto Atendimento Especializado!

Sinais e sintomas que podem ocorrer na face após a queda da própria altura O que pode ser
Equimose (mancha roxa) ao redor dos olhos e no branco dos olhos Fratura no osso zigomático e/ou nasal
Dificuldade em abrir a boca Fratura no ossos zigomático e/ou mandibular
Dificuldade em respirar Fratura no osso maxilar e nasal
Dificuldade em mastigar, engolir e falar Fratura no osso mandibular e/ou maxilar e/ou zigomático
Tontura, náusea e confusão mental Sangramento intracraniano
Diplopia (visão dupla) Fratura no osso zigomático e/ou maxilar e/ou assoalho orbital
Visão embaçada ou diminuída Sangramento orbital comprimindo o nervo óptico
Dormência em região da bochecha, asa do nariz e lábio superior Fratura do osso zigomático e/ou maxilar comprimindo o nervo infraorbitário
Dormência em região de lábio inferior e queixo Fratura do osso mandibular comprimindo os nervos alveolar inferior e mentoniano

 

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